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Artesanato do cabo – um processo de restauração de cultura local

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Artesanato do cabo – um processo de restauração de cultura local
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Artesanato do cabo

um processo de restauração de cultura

O nordeste brasileiro além de muitas riquezas se caracteriza pela forte presença do artesanato como uma prática muito representativa para a cultura popular. Em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco, esses artesãos vem deixando o anonimato para buscar formas de modernizar sua prática para conquistar competitividade na produção e comercialização de cerâmicas utilitárias e ornamentais no Estado.

As etapas do fazer essas peças e o de se manter essa prática viva se cruzam trazendo uma reflexão sobre elementos naturais e humanos que fazem uma cultura resistir ao tempo.

BUSCAR

Como se busca na terra, jazidas ou barreiros. O melhor barro é geralmente o mais profundo. Apesar de parecer tudo igual, cada barro tem uma característica , uma função e uma aplicabilidade. Assim, é no profundo conhecimento do lugar, seus costumes e sua história que se encontra o propósito de se utilizar da cultura passada de geração para geração como meio de subsistência.

A ideia de um centro nasce da necessidade e do desejo do grupo de artesãos, oriundos de outra área, o Mauriti, de manter a tradição cerâmica que remonta os engenhos de açúcar.

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E a personificação dessa idéia está centralizada em figuras como a de Severino Antônio de Lima, o Nena, herdeiro das tradições da cerâmica no Cabo de Santo Agostinho (PE), é mestre no ofício e um dos principais disseminadores do conhecimento e da produção do artesanato local. A perfeição no acabamento é uma característica do trabalho deste mestre artesão, que aos 52 anos, zela junto à comunidade pelos ensinamentos iniciados na década de 1970 por seus mestres, Celé e Clebe. Um legado existente no município desde o período colonial, que é repassado para novos aprendizes.

MOLDAR

Dar forma à peça exige a presença de diversos instrumentos. a água é essencial para esse processo. Porém, indo mais além é nessa etapa que a expressão do artesão direciona a identidade de sua peça. Muitas vezes a peça não é feita de uma vez só, exigindo várias etapas e várias peças menores sendo combinadas para formar a peça final.

Essa valorização do artesanato só é possível com o engajamento de artesãos e artesãs no processo produtivo. Jamais com um trabalho individual, mas coletivo.

Além disso, cada peça, cada indivíduo seja consumidor ou parceiro externo tem papel importantíssimo para o fortalecimento da atividade cerâmica.Parceria como a do projeto o Imaginário, iniciada no ano de 2000 em que a Fade-UFPE atua como parceira no gerenciamento. Atuando em comunidades do interior, sua proposta é assegurar o artesanato como meio de vida sustentável, através de ações que respeitem os valores culturais de suas comunidades produtoras. As ações do Imaginário ocorrem em comunidades de baixo IDH – Índice de Desenvolvimento Humano e que possuem alguma tradição de produto artesanal. estreitando laços entre a academia e a sociedade ao longo desses 17 anos.

Moldar é também permitir que essa prática aconteça dignamente. E isso diz respeito ao ambiente de trabalho que muito influencia na qualidade psicológica de quem trabalha.Essa reflexão da origem ao no Centro de Artesanato Cerâmico.

MATURAR 

Localizado às margens de uma rodovia importante para o turismo no litoral sul de Pernambuco, a P-60, se consolida o produto de um sonho e resultado de um trabalho conjunto entre a comunidade e a Prefeitura Municipal do Cabo com aporte do Banco do Nordeste. surge o Centro de Artesanato do Cabo – Arquiteto Wilson Campos Júnior, nome do secretário de desenvolvimento que muito incentivou o desenvolvimentos social no Cabo, falecido em 2005.

Assim como a secagem da peça após moldada exige paciência e cuidados especiais cada detalhe desse centro foi cuidadosamente pensado transmitir o proposito do trabalho a ser ali executado.

Secar à sombra para não deformar. Um refúgio para as peças e para cada artesão. Paciência para os últimos retoques e cuidados especiais.

O Centro foi projetado inicialmente como espaço de produção, Desde seu início de operação, atua também como espaço de comercialização de peças prontas e também de pedidos personalizados.

FORMALIZAR 

A queima é onde tudo se consolida, onde as peças ganham forma, o barro torna-se mais resistente, a mistura de minerais ganha cor e brilho de quando entrou.

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O fogo também serve como metáfora porque aquece, alimenta, fomenta o propósito desses artesãos. o ato de tirar a peça do forno é sempre emocionante, a partir dali ela está pronta para ganhar o mundo.

Formalizar um propósito em um lugar é um exemplo de que é possível regenerar uma prática que ao longo do tempo vinha sendo marginalizada, trazendo novamente para esses indivíduos o orgulho de sua atividade, dignificando seu trabalho.

Incorporando essas peças aos nossos espaços, internos ou externos, no chão ou suspensos dentro de nossas casas. de alguma maneira estaremos incentivando outras práticas como essa. Estaremos valorizando aquilo que é de mais precioso na cultura brasileira.

“Feito com as mãos, o objeto artesanal conserva, real ou metaforicamente, as impressões digitais de quem o fez.” Octavio Paz



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Lucas deOli Freitas

Arquiteto e Urbanista em construção. Apaixonado por tudo que é feito de gente pra gente.

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